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As riquezas de Angola
Nem é questionável a imoralidade de chamar Angola um dos países mais ricos do mundo, olhando a miséria em que vivem os angolanos. Contudo, poucos chãos há tão férteis em recursos como aquele, onde existe uma nação dividida e espezinhada pela guerra. Lá, petróleo e diamantes são um verdadeiro maná, inesgotável fonte de armamento e, também, de bem-estar para um punhado de poderosos privilegiados.
De um modo simplista, pode dividir-se assim a riqueza de Angola: a terra dá petróleo aos mandatários do MPLA, partido no poder desde a independência em 1975, e diamantes à UNITA (partido que quer o poder desde a independência); o povo dá carne para canhão a ambos.
No território controlado pela UNITA, em zonas aluviais e leitos de rios, muitas vezes pejados de crocodilos, têm saído os fundos para manter a guerra. Retirando algumas das melhores gemas do mundo, os homens de Savimbi asseguraram, em 1997, dois terços da produção angolana de diamantes, avaliada então em 800 milhões de dólares. Há algumas companhias estrangeiras, autorizadas pelo Governo, a operar no Nordeste do país, mas são freqüentemente alvo de ataques dos homens do Galo Negro. Centenas de homens de Rwanda e Congo foram utilizados pela UNITA como trabalhadores nas minas de diamantes e, com o fim da UNITA belicista, a grande maioria deles ainda se encontra em Angola a espera da primeira chance para deixar o país.
Os valores referidos mostram que de nada tinha valido o embargo imposto à UNITA pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, em 1993, que abarcava, além do negócio de diamantes, embargo militar, proibição de viajar aos seus dirigentes, fecho das representações no estrangeiro e sanções financeiras. O tráfico ilícito rendeu cerca de 500 milhões de dólares anuais, que permitiram aos guerrilheiros abastecer-se fartamente de armas, designadamente em países do antigo bloco de Leste. E as riquezas estão longe de esgotar: há grandes jazidas de kimberlito, riquíssimas em diamantes e já a ser exploradas, além de importantes zonas de minério de ferro e outros minerais, cuja exploração apenas poderá fazer-se em tempos de uma paz plenamente consolidada.
Enormes reservas
O Governo de Luanda tentou (e tenta?) de todas as formas reprimir e pôr cobro ao tráfico de diamantes, tanto através da criação de um certificado de origem como da atribuição exclusiva das exportações à ASCORP, uma companhia que envolve capitais angolanos, israelitas belgas e suíços. Nos últimos anos, a produção oficial tem crescido, graças à conquista de territórios antes controlados pela UNITA. Com o recente retorno dos ventos do cessar-fogo as perspectivas crescem. Mas é com o petróleo, fundamentalmente, que o MPLA financiou a sua guerra. As águas territoriais angolanas albergam os maiores lençóis petrolíferos por explorar de todo o Planeta. Estima-se hoje que só o campo do Girassol, descoberto pela companhia francesa Elf em 1996, está produzindo 775 mil barris por dia, prevendo-se que, no prazo de oito a dez anos, chegue aos dois milhões de barris diários. Isto sim, se administrado com competência política e paixão pela nação, será um "boom" econômico e pressuposto sério de desenvolvimento, à médio prazo, para um país basicamente tão insignificante hoje como é Angola. Se depender de suas riquezas, este país rapidamente se despontará como um "tigre econômico" na África e um importante pôlo de desenvolvimento no terceiro mundo, capaz de atrair inventimentos, tecnologias e mão de obra especilizada para tocar seu desenvolvimento. Terão os atuais governantes (que, ao que tudo indica, serão os mesmos nos próximos dez anos) real noção deste fato, além de condições e competência política para oferecer ao país um projeto verdadeiro de desenvolvimento sustentável à médio prazo? Só o tempo dirá.
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