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Ação Comunitária do Brasil / Rio de Janeiro acolhe os angolanos da Vila do João
RIO DE JANEIRO, RJ - Centenas de refugiados escolheram o Brasil para viver durante a desgastante guerra civil de Angola ao longo da década de 1990. A maior parte deles se estabeleceu no Rio de Janeiro, onde escolheu o bairro Vila do João, parte do Complexo da Maré, como lugar preferencial de morar. Cerca de 2.500 pessoas, algumas em situação ainda em processo de legalização, têm encontrado dificuldade em encontrar emprego e sofrem o preconceito racial à brasileira, por serem negros e estrangeiros. Além disso, não conseguem se integrar aos costumes sem deixar para trás as raízes africanas.
A Vila do João e também a Vila do Pinheiro foram escolhidos por terem aluguéis mais baratos do que os outros bairros da cidade. "Alguns brasileiros acham que viemos aqui para roubar seus empregos, o que não é verdade", afirma o angolano Hugo Fonseca, 23 anos. Ele cursa a faculdade de Desenho Industrial, na UFRJ, e reclama da discriminação racial: "Quando há trabalho em grupo, todos os meus colegas se reúnem e eu acabo fazendo o meu sozinho", conta. Hugo participa do projeto da Ação Comunitária do Brasil Rio de Janeiro (ACB/RJ), em seu Centro Comunitário na Vila do João, que ajuda refugiados a promover o resgate cultural, mantendo vivas algumas tradições. Ele é um dos responsáveis pelo grupo Contos e Cantos de Angola, que representa seu país em espetáculos artísticos: "Além de danças típicas, fazemos a montagem dos cenários e o figurino", explica. O mais novo projeto da ACB com os refugiados, chamado "Diamante Negro", que conta hoje com mais de 25 integrantes, consiste em peças de teatro sobre histórias de sua terra natal.
O primeiro trabalho tem como inspiração um conto angolano chamado História do Rei Kipakasa. O rei é chamado para dar uma opinião sobre a gravidez de uma jovem, antes do casamento, e os rituais angolanos. O coordenador do teatro Nathan Figlim, responsável pelo grupo na ACB/RJ, conta que os encontros aos sábados estão atraindo cada vez mais pessoas. "Pensamos em montar um grupo fixo para apresentações na Vila do João e, no futuro, em todo o Estado do Rio", comenta Natan. "Nós temos um sonho", afirma Hugo: "Conquistar o coração dos brasileiros".
Costumes semelhantes
A história de Hugo se parece com a de muitos outros angolanos. "O povo sofria muito com os ataques do governo e da UNITA", afirma o estudante que, aos 17 anos, foi obrigado a servir o exército bem longe de onde morava, a capital Luanda. Ao voltar da guerra, ele foi aconselhado por seus pais a vir ao Brasil estudar. Como não tem "padrinho na cozinha", o conhecido pistolão por aqui, ele não conseguiu visto de estudante, desembarcando aqui como turista. Com o auxílio do Programa de Atendimento a Refugiados da Cáritas, instituição internacional coordenada no Brasil pela CNBB, e do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), a maioria dos refugiados conseguiu legalizar a sua situação.
Grande parte dos angolanos pede asilo político especificamente no Brasil por também falarem português, e por se identificarem com certos costumes, semelhantes nos dois países. Um tratado de paz assinado por ambas as partes no começo do ano passado, especialmente depois da morte do lendário Jonas Savimbi em Janeiro daquele ano, ex-presidente do entãoi movimento guerrilheiro da Unita, acabou com a guerra. Mas a difícil situação social pós-guerra e a imprevisibilidade das polítias em curso no país ainda não tranqüilizaram os refugiados. "Muitos tratados como este já foram assinados e nada mudou. Agora é esperar uns dois anos para ver se deu certo", diz Hugo.
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Para saber mais sobre a situação dos refugiados africanos no Rio de Janeiro, bem como as atividades em que se encontram envolvidos, contacte o seguinte endereço:
Claudia Fonseca - Ação Comunitária do Brasil, Rua da Candelária, 4 Centro Rio de Janeiro - CEP 20091-020. Telefones: (21) 2253-6443 Telefax: (21) 2516-2230 Home Page: www.acao-comunitaria.org.br e-mail: acb.candelaria@ig.com.br acao.rj@uol.com.br
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