Solidão

         S O L I D Ã O

 
Cai uma chuva grossa lá fora
Aos poucos agrava minha solidão
Busco no som de cada gota
A melodia certa para meu coração
            
Amanhã o céu vai nascer nublado
O frio vai inundar meu coração
Vou sair correndo pelo mundo
Em busca de conforto e proteção
 
A sombra de alguma alvenaria
Um homem vai me lembrar você
Vou fazer amor com euforia
Até sentir meu corpo queimar
 
E ao romper da aurora
O prazer ainda a me consumir
Vai restar somente o desprazer
De ao juramento ser desleal
 
Ao som do gotejar da chuva
Outra vez a solidão a me consumir
No silencio da lembrança
Apenas direi: Aquele homem não era você.
 
 
  Ana Mathaya, 1997

Chove muito no tempo
Chove também no coração
E o relógio do agora
Marca o tic-tac da dor!
Aos poucos a chuva cede ao vento
E este me traz noticias tuas
Fala-me de teu terno olhar
De tua aveludada voz...
Fala-me também da dor infinita
De ainda não te ter
 
Aos poucos rejeito a morte
Faço opção pela chuva, o vento, a vida!
Não é falso lirismo
É a intenção da verdade, do amor,
Da saudade,
[ansiedade]...

Amanhece: a mesma dor!

Tempo e vento se confundem
Mas no cordão umbilical da vida,
E sem falso lirismo
Mas um poema sólido eu semeei
O poema da saudade, da ansiedade...
O poema do amor.
 
A. Mathaya, Belém Jan. 2002