Artigo publicado originalmente no Jornal O DIA, Rio
de Janeiro, 03/02/02
O fórum social mundial de Porto Alegre, reunido de 31/01 a 05/02,
acredita que "um outro mundo é possível". Por que outro, se
já temos
este-capitalista, neoliberal e globocolonizador? Este é o melhor dos
mundos.
Exceto para 2/3 da população mundial que vivem abaixo da linha
de pobreza,
segundo o Banco Mundial.
Habitam em nosso planeta, hoje, 6,1 bilhões de pessoas. Só 2,1 bilhões
desfrutam de condições dignas de vida. Os outros 4bilhões padecem: 2,8
bilhões vivem abaixo da linha da pobreza, o que significa que não dispõem
de
renda mensal equivalente a mais de 60 doláres. E 1,2 bilhões vive abaixo
da
linha da miséria, com renda mensal inferior ao equivalente a 30 dólares.
A economia mundial está em desaceleração. Não vai
crescer mais de 2,4%
este ano, afirma o FMI. Nesse mar de pobreza, é ilusão esperar uma tábua
de
salvação neoliberal que venha das ilhas de opulência.
O princípio supremo da cidadania mundial é o direito de todos à vida
e, como
enfatiza Jesus, "VIDA EM PLENITUDE"(João 10:10). Como
tornar isso viável? O
mercado agrava o estado de injustiça. A planificação centralizada restringe
o exercício da liberdade.
Para conciliar o mercardo e planificação, urge que a lógica econômica
abandone o paradigma da acumulação privada para recuperar o do bem comum,
de
modo que a cidadania se sopreponha ao consumo, e os direitos sociais
da
maioria, aos privilégios ostentatórios da minoria.