Encontro cultural
Happy Hour

Jovens africanos em Belo Horizonte (Brasil) promovem encontro para lembrar a cultura-mãe e matar saudade!

Quem já passou algum tempo longe da família e dos amigos sabe o quão significantes são os encontros e reuniões entre amigos e colegas onde quer que se encontre. São momentos em que diferenças ideológicas são deixadas de lado e o sentimento de união "familiar" é promovido. Lembram-se os bons tempos da infância, a saída imprevisível da terra mãe, as lutas e conquistas nas terras estrangeiras - quase sempre mais lutas do que conquistas.

Foi esse tipo de clima que prorrompeu quando jovens angolanos, de diferentes afins e ocupações, se reuniram recentemente numa tarde de domingo em Belo Horizonte. O palco foi o lar aconchegante do jovem Diamantino, também conhecido por Diamond, estudante de comunicação Social, e que apesar de contar apenas 23 aninhos de idade demonstra já um bom gosto e profundo conhecimento dos clássicos da música angolana. De violão em punho, executou sucessos de artistas famosos da estirpe de David Zé, Raul Ouro Negro, Teta Lando... Também teve vez a jovem Guarda, Paulo Flores, irmãos Verdade, dentre outros. O jovem anfitrião ainda mostrou seu bom gosto pela poesia declamando: "... no meu coração de exilado/ todos vós com o vigor do nosso povo/ estais ligados às manhãs dolorosas de despedida pelo povo / pela humanidade / pela paz...".

A presença mais ilustre da tarde foi a do Poeta angolano Lopito Feijó, acompanhado de sua esposa, a atriz e repórter Aminatha Goubel. O encontro contou ainda com a presença de estudantes senegaleses, que também entraram no clima da arte poética. Ousmane Balaman, mestre em comunicação Social, foi aplaudido ao declamar THIAROYE, de Léopold Sedar Senghor, um poema que lembra a morte de combatentes senegaleses no bairro Thiaroye durante a II Guerra Mundial.

E caiu à tarde, chegou a noite, uns partiam, outros chegavam, com o único objetivo de estar juntos e viver um ambiente bem familiar. Muitos foram ficando até a madrugada. E mesmo sem palavras, nos olhos de todos dava pra ler a mensagem oculta: "...eu sei que vou voltar.... Mas ainda tenho que esperar...". Em todos, o segredo da espera é a necessidade da busca e continua consolidação do saber, um saber que, inegavelmente, mais cedo ou mais tarde estará a disposição da mãe Angola!!!!

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