O MUNDO E A MISSÃO DO CRISTÃO
O CRISTÃO COM UMA MISSÃO

©Zakeu A. Zengo

  Textos Bíblicos: Lucas 4:18-21; II Coríntios 9:8-15; Colossenses 3:23, 24; João 7:17, 18; Salmo 126:6.  

 

Espera-se que um cristão seja a representação viva da pessoa, vida e ações de Cristo no mundo. Só para lembrar, a vida e os atos de Jesus Cristo foram um legado de amor, justiça, compaixão, perdão, humildade e um compromisso com o serviço dedicado a Deus em favor dos homens e do mundo. Sem estes, de fato todo o cristianismo perde todo o seu sentido e a morte do jovem Cristo não teria passado de mais uma fatalidade humana na casa de José e Maria. Embora nenhum cristão negue esses argumentos, muitos têm demonstrado, no entanto, uma grande habilidade em desmerecer no seu viver todos os compromissos com a causa que levou à morte o filho de Deus.

 

Muitos cristãos hoje se deixam contaminar por uma tal apatia que gastam a maior parte do tempo que dedicam as coisas de Deus com preocupações doutrinárias, intrigas interdenominacionais e colheitas abençoadas para a própria vida e alma. Dizem-se cheios de amor por Cristo, quando na verdade para eles a igreja não passa de um lugar privilegiado para se esconder de Deus e do compromisso com Cristo, que convocou os cristãos a uma vida de serviço em favor do reino de Deus e da humanidade.

 

Enquanto isso, a grande maioria das pessoas ao seu redor se afunda cada vez mais no pecado e na imoralidade, vivendo e morrendo sem a graça salvadora de Deus. Alastra-se a falsa religiosidade, a heresia e a livre determinação de pecar contra a vida humana e a natureza. Assistimos estarrecidos a uma verdadeira ausência de metas confiáveis no mundo, quando jovens e adolescentes estão mergulhados em profunda desorientação, em que as pessoas aprendem a confundir Deus com papai Noé e o único salvador, Cristo, com um discípulo de Khrisna, de Buda, de Ahura Mazda ou de um avatar qualquer. De modo intenso as pessoas tornaram-se prisioneiras do mundo com suas estruturas de pecado e pecaminosidade cada vez mais refinadas e minimizadas.

 

Por tudo isso, é importante perguntar de novo: qual é a missão da igreja hoje, num mundo e sociedades de contrastes tão marcantes? Qual é a tua missão como cristão?

 

1.      A missão de Jesus

 

Não se pode responder a essas indagações sem a consideração da vida, da mensagem e do ministério de Jesus Cristo no mundo e a maneira como isso determina o viver do cristão.

 

A conexão entre a missão de Jesus e a missão da igreja constitui o pano de fundo para quase todo o conjunto dos livros do NT. Neles se evidencia o retrato missionário de Jesus, com as seguintes notas:

 

A) Seu ministério está relacionado diretamente com a situação concreta do mundo. Expressa nos seus ensinamentos uma convicção profunda a respeito do relacionamento  de Deus com a história e com a situação humanas. Sua visão a respeito do futuro do mundo é holista e “otimista”, isto é, assegura a vitória definitiva do reino de Deus sobre todas as situações humanas (João 16:33). Embora os homens parecessem surdos, cegos espiritualmente e duros de coração, a vitória final do poder e graça de Deus é tida como certa no seu ministério. Em muitas de suas parábolas (Marcos 4:3-9, 26-32) Jesus deixa claro que embora as sementes pareçam insignificantes e vulneráveis e a condição do terreno inóspita, a colheita é inevitável e copiosa. Daí acertar o salmista quando diz: “aquele que sai chorando, levando a semente para semear, voltará com cânticos de júbilo, trazendo consigo os seus molhos”.

 

B) A mensagem de Jesus é sempre atual. Tanto a vitória futura do reino poderoso de Deus quanto a derrota definitiva do sofrimento e da morte humanas por ele pregadas, convergem para a necessidade da regeneração da presente situação humana. Em seu ministério Jesus chorou sobre o caos do espetáculo do sofrimento de Jerusalém (Lucas 19:41). A necessidade do reino de Deus no coração de cada homem (Mateus 6:33) e da humanidade em geral (Marcos 4:11) animava a consagração de Jesus ao seu ministério de cura, exorcismos e desafio profético (Lucas 12:27; 19:45-48; Mateus 12:27). Além disso, justiça, compaixão e paz, valores necessários para a realização da coletividade humana em qualquer época, haviam se tornado em metas do seu ministério (Mateus 25:31-46). Portanto, a dimensão abrangente, atual e holista de sua missão é inconfundível.

 

C) A motivação central de sua missão é o estabelecimento do reino de Deus no mundo (Marcos 1:14-15; 4:26-32). Jesus tinha exata noção da situação do mundo (Mateus 18:7; I João 5:19) e estava convencido que a vinda do reino de Deus representava a vitória da humanidade sobre o mal e a morte. Nele se cumpria a verdade de que Deus está determinado a resgatar o mundo de todo o mal.

 

Distinguem-se três notas distintas nessa motivação do estabelecimento do reino poderoso de Deus no mundo: a esperança da manifestação efetiva da vida eterna para todos os homens (João 3:16), à cuja causa sua missão estava vinculada; a certeza da necessidade da presença e intervenção de Deus na história humana concreta, isto é, seu empenho em salvar o seu povo como um Deus que em Cristo está decidido a destruir a dor, a doença, o mal e a morte. Por isso a missão dele, segundo ele mesmo, não podia ser outra: anunciar boa notícia aos pobres, libertar os cativos, dar vista aos cegos, pôr em liberdade os cativos, anunciar o ano aceitável do Senhor (Lucas 4:18,19). Veio salvar o que estava perdido, o que continua perdido.

 

2) A missão da Igreja

 

O ministério de Jesus e a urgência do reino de Deus no mundo por ele pregada determinam o caráter, o alcance, a urgência e a autoridade da missão da igreja hoje. Na missão da igreja primitiva, que foi um sucesso por causa da sua íntima referência ao ministério de Cristo, distinguem-se a iniciativa de Deus para salvar, a centralidade do mandamento do amor (Cf), a ênfase sobre a reconciliação e a unidade na igreja (Mateus 22:37-40), a abertura em direção os excluídos, marginalizados e necessitados (Lucas 5:17-26, 8:40-56, etc.), bem como a confiança no poder salvador e na graça infalível de Deus.

 

Além da urgência e integridade, a missão da igreja primitiva se realizou, também e sempre, com vistas a avançar além das fronteiras da Palestina. Nela o domínio do Cristo exaltado se moveu para uma escala cósmica como prevê o mandamento da comissão (Mateus 28:18,19; Atos 1:8,9). A compreensão e adoção dessas caraterísticas determinam o fracasso ou o sucesso da missão da igreja e do cristão.

 

Evangelismo e serviço social constituem, portanto, o modelo da missão de Cristo.  A igreja não pode se esquecer de modo nenhum que tanto a evangelização como a responsabilidade social fazem parte da sua missão no mundo.

 

3) A missão do cristão

 

O NT define o autêntico seguidor de Jesus em termos cristológicos (Romanos 15:1-13). Quer dizer, o serviço doador de Cristo estabelece o modelo para a vida e missão do cristão. Cristão é, pois, aquele que percebe e adota o chamado comissionador de Cristo (Mateus 28:18-19), imitando-lhe a necessidade de tornar-se “pescador de homens” e pregoeiro de libertação (Marcos 1:16-20; 2:14). Os evangelhos insistem em apresentar Cristo como aquele que instruiu e enviou seus discípulos a fazer o mesmo que ele fazia (Marcos 3:14; 6:7-13.30).

 

A missão do cristão se dimensiona exatamente na resposta positiva dada a Cristo e sua missão, isto é, na compreensão da própria salvação como compromisso com a pessoa e missão de Jesus. Mas essa compreensão e resposta positivas podem degenerar se o discípulo ignora a cruz de Jesus.

 

Por isso, o cristão com uma missão aceita o desafio da cruz como honrosa. Aceitar a cruz de Cristo significa identificar-se total e profundamente com ele e sua missão. Sem essa identidade o cristão não pode entender sua própria vocação, não entende o mistério do evangelho salvador e sua urgência no mundo (Cf. Marcos 4:10-13), e, é claro, hesitará em assumir responsabilidade pela salvação da humanidade e transformação do mundo.

 

PARA PENSAR

 

1.      A missão efetiva do cristão resulta da sua busca de fidelidade para com o seu Senhor, Jesus Cristo. Todos os ministérios da igreja e os atos dedicados do cristão devem fluir da busca intensa da fidelidade plena à vontade de Deus, da submissão ao senhorio de Cristo.

2.      A igreja experimenta a presença do pecado, da pobreza e da injustiça. A igreja deve ministrar sobre esses problemas no espírito de Jesus Cristo. Tanto o pecado quanto as estruturas do mundo carecem de regeneração.

As circunstâncias específicas do mundo e da sociedade em que nos encontramos determinam as condições da nossa missão. Num mundo com o nosso, a missão do cristão deve se manifestar na forma de testemunho do evangelho, para que se produza uma resposta de fé, justiça e arrependimento. Como Cristo, fazer o bem (Romanos 12:7-21; Gálatas 6:9, 10; II Tessalonicenses. 3:13; Tiago 4:17; Atos 10:38) ganhando almas, edificando e moti

 

 

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