Testemunhas de Angola: corrupção

Testemunhas de Angola

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Angolan Witnesses

  Expondo a verdade em Angola - Exposing the truth in Angola

Setembro 2002
Onde está o dinheiro que vem das receitas com a venda do petróleo angolano?

Atualmente, o volume de receitas com a venda de petróleo e de empréstimos garantidos pela extracção de petróleo é basicamente razoável, mas milhares de crianças são deixadas à mercê da ajuda alimentar financiada pelas Nações Unidas. Uma criança morre em cada três minutos de causas inteiramente preveníveis – 480 por dia.

As empresas petrolíferas internacionais, tais como a Chevron Texaco, a ExxonMobil e a TotalFinaElf, exacerbam o problema do dinheiro desaparecido em Angola ao recusarem-se a publicar o valor das suas contribuições ao estado Angolano. Isto significa que o cidadão angolano comum não dispõe de informação que o conscientize a responsabilizar o estado pela má gestão dos fundos públicos. A teia de segredos que cerca a questão da venda de pertóleo e receitas em Angola, aprofundada pela cumplicidade das empresas privadas que lá estão a se enriquecer, é um fator que alguns organismos internacionais querem esclarecer para ajudar os angolanos a trilhar o caminho do progresso e reconstrução de maneira consciente e possível. Uma dessas organizações, a Global Witness, acredita que a iniciativa deverá agora partir do governo angolano e que a gestão dos recursos naturais em Angola deveria ser apresentada como um caso-referência no Programa para a África do G8 e na iniciativa da chamada Nova Parceria para o Desenvolvimento da África (NePAD). Para ela, lideranças importantes como o Presidente George Busch deveriam igualmente pressionar as autoridades angolanas, particularmente o Presidente de Angola no encontro que terão, para assumir o comprimisso da transparência, particularmente no caso Enron.

Julho 2002
Uma Guerra Privatizada...


Em Dezembro de 2001 a Reuters divulgou em Luanda que 1.5 biliões de dólares vindas de receitas petrolíferas, mais de um terço das receitas totais do país (três a cinco mil milhões de dólares), desapareceram da contabilidade de Angola. Isto se tornou público graças ao estudo contabilístico comparado entre as contas do Banco Central de Angola e as faturas de produção de petróleo dos grupos que atuam em Angola, como a Chevron Texaco e TotalFinaELF, que o programa de reformas do Fundo Monetário Internacional encomendou à agência KPMG. Estas empresas juntas absorvem a quase totalidade dos 750.000 baris diários produzidos em Angola, o segundo maior produtor da África sub-sariana, a seguir à Nigéria.

De acordo com a informação receitas de venda de petróleo, estimadas em cerca de 87% das receitas globais do país assolado pela guerra, terão desaparecido num “buraco negro” que tem a sua volta a empresa estatal Sonangol, o Ministério das Finanças e a Presidência. O FMI tomou conhecimento do desaparecimento desta quantia no seu programa de Diagnóstico do Petróleo, no qual se comparou as receitas registadas pelas empresas petrolíferas a operar no país – sobretudo oriundas da TotalFina, Elf e Chevron-Texaco - com o dinheiro que apareceu nos relatórios de receita anual do país. A agência observou através do seu diretor, Simon Tylor, que "Informação em nossa posse demonstra que indivíduos ligados à Presidência – a chamada “óleogarquia” – desviam dinheiro das receitas petrolíferas e de empréstimos internacionais garantidos com rendimento petrolífero futuro, contraídos para a compra de armas e outro material militar. A Guerra foi privatisada. Certamente a comunidade internacional encontrará os biliões desaparecidos numa miríade de contas off-shore, por cortesia do sistema financeiro de contas sobre a apropriaçãos ilegal de bens públicos". E ainda acrescenta: “Os biliões desaparecidos dão hoje uma nova dimensão no entendimento da catástrofe humanitária do país. Basta comparar o valor dos fundos desaparecidos com os 200 milhões de dólares que as Nações Unidas angariaram com tanto custo para alimentar o milhão de pessoas internamente deslocadas do país“.

Até hoje o governo apenas desmente o desaparecimento dos milhares de milhões de dólares nas contas do Estado, constantes num estudo comparado entre as companhias petrolíferas e divulgado há alguns meses. Não se tem notícia de qualquer iniciativa nacional que incentive a investigação dos fatos, nem mesmo da parte do que se tem por Parlamento nacional. Algum barulho de pequena vibração passou por gesto de alguns deputados que representam legendas inexpressivas. Não se sabe por que, hoje andam também completamente calados.

Crianças morrendo de inanição e bilhões de dólares desaparecidos... (Junho 2002 )

Na terça-feira, 26 de Fevereiro, o presidente Bush se encontrará com o líder de Angola, o sr. José dos Santos. Durante o encontro, o presidente Bush deveria pedir explicações ao presidente dos Santos sobre o fracassado Estado Angolano e sobre a extensão dos desvios de fundos de petróleo perpretada pela elite governante. Angolan Witness afirma que “esta é uma excelente oportunidade para que o presidente Bush marque claramente a importância de transparência empresarial, sobretudo na era pós-Enron”. As investigações da Global Witness de Angola revelaram que indivíduos são beneficiarios diretos do dinheiro público do país. Em contraste, as Nações Unidas conseguiram com dificuldade reunir 200 milhões de dólares para alimentar 1 milhão de pessoas deslocadas, dependentes de ajuda alimentar de emergência em Angola.

A CADA, Companhia Angolana de Distribuição Alimentar, uma empresa associada a indivíduos ligados à presidência, é também um dos fornecedores principais das Forças Armadas Angolanas. Esta empresa tem ligações com o grupo Brenco, que se encontra no centro do escândalo “Angolagate”, revelado em Dezembro de 2000 na França. Apesar do fato das receitas com a venda de petróleo constituirem 80% a 90% da riqueza de Angola, e enquanto uma criança continua a morrer de doenças preveníveis em cada 3 minutos nesse país destroçado pela guerra, a elite governante desfralda o país dos fundos que poderiam manter estas crianças vivas”. O próprio presidente Bush deixou a sua marca no escândalo Angolagate quando foi revelado que a sua campanha eleitoral recebeu uma doação de 100,000 dólares – a mesma quantidade oferecida por Kenneth Lay da Enron – provenientes de uma empresa gerida pela esposa de Pierre Falcone, o presumível traficante de armas libertado sob caução por “tráfego ilegal de armas, fraude fiscal, uso ilícito de benefícios sociais, abuso de confiança e tráfego de influência" relacionado com o caso Angolagate.


Será que é seguro mesmo voltar a terra-mãe? (Agosto 2002 )


Outra vez fiquei muito assustado ao saber por telefone sobre a morte de um certo "Pastor ou Padre" em Luanda que estava mexendo em assuntos que desagradavam aos negócios dos governantes angolanos. Depois de apenas 11 dias de chegada em Luanda, seu corpo foi achado morto na residencia de um suposto familiar que por razões de seguranca não foi divulgad.

Diante de uma situacão como esta, já em plena era de paz e reconciliação nacional, pergunte-se o leitor: será que é seguro voltar a terra-me politicamente consciente e com disposição de contribuir na educação política e conscientização social da população angolana?

 

Filho de Mitterrand afirma inocência em escândalo de armas
Sexta, 9 de Março de 2001

O filho do ex-presidente francês François Mitterrand combateu na sexta-feira acusações de tráfico de armas a Angola, depois que o escândalo se ampliou, passando a incluir a investigação de um alto assessor do falecido presidente. O inquérito faz parte de uma rede de casos interligados que trouxe à tona atos corruptos dos altos assessores do presidente Mitterrand durante dez anos. Figura pública de destaque,

Attali foi forçado a renunciar à presidência do Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento, em 1993, em meio a acusações de gastos exagerados com decorações opulentas e arrogância intelectual. Tem ainda ligações com muitos dos suspeitos no inquérito o bilionário vendedor de armas Pierre Falcone, que foi preso quando era investigado pela venda de armas russas no valor de 550 milhões de dólares a Angola, no início do ano. Os magistrados investigam também uma fábrica de processamento de peixes na Mauritânia para descobrir se o acusado como intermediário das operações de Falcone, Jean-Christophe, a usou para acobertar (lavar) dinheiro recebido de Falcone. Nem mesmo os profissionais de direito estão imunes de suspeita. A APM, Associação dos Magistrados da França, recebeu 100 mil francos (14.220 dólares) de Falcone em 1997, fato que vem provocando ultraje entre advogados e magistrados.O caso "Angolagate" é um entre uma série de julgamentos ou investigações relacionados a escândalos de corrupção ligado a governantes angolanos, altos funcionários da administração pública francesa e empresas estrangeiras que operam em Angola, principalmente na área de petróleos.

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