A CIENTIFICIDADE DA BÍBLIA

A Bíblia é Confiável, apesar de Tudo

(Situação científica e filosófica da Bíblia)

©Zakeu A. Zengo

Não é necessário hoje em dia pôr em questão o que significa "crer em Deus", por não existir, em absoluto, pessoas totalmente convencidas de sua inexistência. A grande maioria da população ocidental crê na existência de Deus, embora insista em ignorar e desprezar seus propósitos para a humanidade.

O mesmo, porém, não se pode dizer da Bíblia. Muitos desconfiam da veracidade dos fatos nela descritos, colocando também em xeque seus objetivos e ensinamentos. Entretanto, apesar de complexa e em parte confusa, a Bíblia Sagrada é inteiramente confiável naquilo que ela assume como sua mensagem central e essencial.

Num mundo cheio de ceticismo e indiferença, ainda é possível acreditar que ela, por sua natureza e mistério, é seguramente a revelação inquestionável de uma verdade que está para além da razão humana, sem contudo se deixar anular por esta. Na Bíblia não há apenas princípios éticos, histórias épicas, romances ou conselhos sábios, mas também, principalmente, o revelar do acontecer do grande amor de um criador apresentando o caminho de todas as coisas no mundo.


1. A história da Bíblia

Bíblia é o nome que recebe o conjunto de 66 livros que narram a experiência histórica da auto-revelação de Deus ao homem: 39 livros no Antigo Testamento e 27 no Novo. (Curiosidade: 3 x 9 = 27!). O AT tem 23.214 versos e o NT 7.959 versos.

A Bíblia levou cerca de 1600 anos para ser escrita. Ela foi escrita em três línguas diferentes (Hebraico, Aramaico e Grego) por cerca de 40 autores (hagiógrafos), que viveram em épocas e regiões diferentes. Seus ensinamentos são, no entanto, internamente consistentes, coerentes e harmoniosos quanto ao seu objeto.

As primeiras traduções do texto bíblico para o português datam desde o século XIV, quando a família real de Portugal (D. Diniz, D. João I e II, a infanta e neta do rei João I, D. Felipa, entre outros) traduziu os vinte primeiros capítulos do livro de Gênesis e os evangelhos, os Atos dos Apóstolos e as cartas de Paulo, até o século XV.

A primeira tradução portuguesa da Bíblia completa foi feita por João Ferreira de Almeida, no século XVII, quando se converteu do catolicismo à fé evangélica protestante. Começou a tradução antes dos 17 anos de idade e, entre correções, revisões e re-traduções chegou a Ezequiel 41:21 quando faleceu em 6 de Agosto de 1691. Em 1748, o pastor Jacobus op den Akker, da Batávia (atual Jacarta), terminou a tradução depois de cinco anos de trabalho. Em 1753 seria impressa a Bíblia completa em português de João Ferreira de Almeida, em dois volumes. Esta é a tradução mais utilizada pelos evangélicos.

A Segunda tradução mais importante da língua portuguesa é a do padre Antônio Pereira de Figueiredo, que gastou dezoito anos para traduzi-la no século XVIII. À diferença de Almeida que conhecia fluentemente as línguas originais da Bíblia e baseou nos manuscritos originais sua tradução, Figueiredo não conhecia nem o hebraico e nem o grego. Apenas se baseou na Vulgata, tradução da língua latina já então existente. Nos países de fala portuguesa esta é a tradução mais apreciada pelos católicos.

A primeira tradução brasileira da Bíblia completa foi publicada em 1917, conhecida como "Tradução Brasileira". Patrocinada pelas sociedades bíblicas empenhadas na disseminação da Bíblia no Brasil, esta tradução fora baseada em manuscritos melhores que os utilizados por Almeida. Por volta de 1964 a Bíblia já havia sido traduzida, em parte ou no seu todo, para mais de 1.200 línguas e dialetos de diferentes partes do mundo.

Organização e estrutura do texto bíblico. A Bíblia foi dividida em capítulos por Stephen Langton por volta de 1228. O AT foi dividido em versos por R. Nathan no ano de 1448 e o NT por Robert Stephanus em 1551.

O AT tem um total de 39 livros, com cinco divisões principais em seqüência: Pentatêuco (de Gênesis à Deuteronômio), livros históricos (de Josué à Ester), livros poéticos (de Jó à Cânticos de Salomão), Profetas Maiores (de Isaías à Daniel) e Profetas Menores (de Oséias à Malaquias).

O Novo Testamento tem um total de 27 livros com 4 divisões principais: Evangelhos (Mateus à João), Históricos (Atos), Epístolas ou Cartas (Romanos à Judas) e Profético (Apocalipse ou Revelação).

2. Autenticidade e confiabilidade dos escritos da Bíblia

Estudos rigorosos e profundos atestaram que a Bíblia é 98,5% textualmente confiável. Isto quer dizer que, em todo o processo de copiar os manuscritos bíblicos, apenas 1,5% oferece alguma dificuldade ou problema, digamos, científico. Nenhum dos escritos antigos da humanidade oferece, nem de perto, a mesma acuracidade de transmissão encontrada nos escritos bíblicos.

Esse 1,5% em questão não afeta a coerência interna dos ensinos bíblicos. Ele diz respeito a algumas situações chamadas de variantes, ou seja, dizem respeito principalmente a variações de ortografia e pronúncia e não a acuracidade da informação ou transmissão.

3. Manuscritos bíblicos

Manuscritos bíblicos dizem respeito aos "rascunhos" originais dos autores ou cópias manuscritas mais antigas da Bíblia. O AT não possui tantos manuscritos para lhe dar suporte quanto o NT. Mas é, apesar disso, incrivelmente também confiável.

Sobre o Antigo Testamento existe os Manuscritos do Mar Morto, um conjunto de textos descobertos em 1947, que atestam a sua confiabilidade total. Esse conjunto, também chamado de Rolos do Mar Morto, são documentos antigos que haviam sido escondidos numa caverna há cerca de 2000 anos atrás, às margens do Mar Morto, na Palestina. Contém vários livros e fragmentos do AT, um dos quais sendo Isaías.

Antes da descoberta dos Rolos do Mar Morto, os manuscritos mais antigos que existiam datam cerca do ano 900 da nossa era, tecnicamente chamados de Textos Massoréticos. Os rolos continham documentos do AT cerca de 1000 mais antigos. Uma comparação entre esses dois conjuntos de manuscritos revelou uma tal incrível acuracidade de transmissão que causou grande espanto entre aos cientistas e estudiosos. Muitos críticos da autenticidade da Bíblia têm silenciado desde então.

Atualmente o N.T. possui mais de 5000 manuscritos gregos que lhe dão suporte, e mais outros 20.000 em outras línguas. Muitas evidências desses manuscritos datam dentro dos primeiros 100 anos dos escritos originais. E em todos eles há apenas menos de um 1% de variação textual, que dizem respeito ao estilo e pontuação.

A data estimada dos escritos do NT é a seguinte:
Cartas de Paulo, 50-66 A.D.
Evangelho de Mateus, 70-80 A.D.
Evangelho de Marcos, 50-65 A.D.
Evangelho de Lucas, cerca de 60.
Evangelho de João, 80-100 A.D.
Apocalipse, 96 A.D.

Outros manuscritos que dão suporte ao NT são os seguintes (Cf. McDowell, Josh; Evidence that Demands a Veredict; Here's Life Publishers, San Bernardino, CA, 1979) pp39-52):
O Manuscrito de John Rylands, escrito por volta de 130, o mais antigo fragmento existente do NT.
Papiro de Bodmer (Bodmer Papyrus) II, de 150-200.
Papiros de Chester Beatty, datados no ano 200, contendo porções inteiras do N.T.
Códice do Vaticano, anos 325-350, contendo aproximadamente todos os escritos da Bíblia.
Códice Sinaiticus, ano 350, contendo aproximadamente todo o NT e mais da metade do AT.

Nenhum outro manuscrito antigo possui, nem de longe, cópias originais tão próximas do tempo em que foi escrito como a Bíblia possui. O lapso de tempo de diferença é de apenas 50 anos. Longe a diferença, por exemplo, dos manuscritos de Platão e Aristóteles, que é calculada em centenas de anos.

4. Cumprimento das profecias e probabilidades matemáticas

As chances de Jesus cumprir 48 das 61 profecias principais relacionados a ele são de uma em 10(157). Este sinal matemático quer dizer 1 com 157 zeros antes!. Curiosidade: o número estimado de elétrons em todo o universo conhecido é de cerca de 10(75), ou seja, 1 com 79 zeros antes dele. Em Jesus Cristo, nascido 4 ou 3 séculos depois da última profecia bíblica registrada a seu respeito, se cumprem integralmente todas as profecias do AT. Isto racionalmente surpreendente e deveria ser suficiente para atestar o caráter da sua mensagem central, a redenção da humanidade.

5. Inspiração e inerrância

A Bíblia é inspirada por Deus. Inspiração significa que Deus, através do seu espírito, fez com que os escritores da Bíblia registrassem a verdade sobre ele da maneira mais acurada possível e sem erros. É uma "inspiração" de Deus (II Tim. 3:16), dada através da instrumentalidade dos profetas, apóstolos e homens de fé (2 Pedro 1:21).

Inerrância quer dizer fundamentalmente que a Bíblia é isenta de erros nos seus manuscritos originais, capazes de comprometer sua acuracidade, e que portanto é absolutamente confiável e verdadeira em todos os assuntos que aborda. Todos os cristãos verdadeiros aceitam a autoridade e inspiração da Bíblia como princípio fundamental da doutrina cristã.

A Bíblia é também precisa com relação a alguns aspetos científicos verificados e comprovados hoje:
1. A forma esférica da terra (Isaías 40:22).
2. A terra é uma matéria suspensa no vazio (Jó 26:7).
3. As estrelas são incontáveis (Gênesis 15:5).
4. A existência de vales nos mares (II Samuel 22:16).
5. A existência de nascentes e fontes debaixo do mar (Gênesis 7:11; 8:2; Provérbios 8:28).
6. A existência de correntes oceânicas no fundo dos mares (Salmos 8:8).
7. O ciclo das águas (Jó 26:8; 36:27-28; 37:16; 38:25-27; Salmos 135:7; Eclesiastes 1:6-7).
8. Fixismo natural, ou seja, todas as coisas vivas se reproduzem segundo a sua espécie (Gênesis 1:21; 6:19).
9. A natureza da saúde, higiene e doença (Gênesis 17:9-14; Levítico 12-14).

Conclusão

Um grande número de pessoas e crenças religiosas se caracteriza hoje pela atitude relativista com que interpelam e interpretam a Bíblia, muitas vezes baseando-se em outras fontes. Não têm o cuidado da busca reverente dos ensinamentos certos e do verdadeiro sentido da história da salvação do homem, conforme revelado nas Escrituras.

Para esses ressoam as palavras da própria Bíblia que diz: "Porque eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro que, se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus fará vir sobre ele as pragas que estão escritas neste livro; e, se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte da árvore da vida, e da cidade santa, que estão escritas neste livro". (Apocalipse 22:18, 19).


Discutir as seguintes alternativas:

A Bíblia (a) é a inspirada palavra de Deus, (b) é um texto sobre histórias interessantes do povo escolhido, (c) cheia de contradições e erros, (d) um livro sobre metáforas e lendas antigas

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