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Fernando Cruz Gomes
Gostávamos de acreditar. Gostávamos de voltar, um dia, a uma Angola
pacificada. Gostávamos, designadamente, que os filhos dos nossos filhos,
que lá nasceram, pudessem voltar à sua terra, sem receio. Gostávamos
que as crianças do país pudessem crescer livres e felizes, tão
fortes como os recursos existentes no solo e sub-solo daquele país portentoso.
Dizem-nos que voltou a reacender-se a chama da paz. O bispo de Uíge - cuja entronização acompanhámos há mais de 30 anos - disse agora acreditar na boa vontade de Savimbi e nos esforços governamentais. É apenas uma mensagem de esperança. Eivada, mesmo assim, aqui e além, de uma temática que faz entender que o "mau" é mesmo o líder da UNITA. De raspão aborda as incongruências do Futungo, branqueando-lhe as diatribes e passando uma esponja por sobre a gritante corrupção que faz parte do dia a dia do governo.
De qualquer modo, é preciso acreditar em algo. E aquele prelado, e com
ele muita gente, acredita que os problemas nos países pobres têm
raiz nos chamados países desenvolvidos. Angola não foge à
regra.
Quanto mais nos embrenhamos nos meandros da guerra, mais chegamos à conclusão
de que em Angola vivem e morrem os braços e as pernas dos que a fazem.
A cabeça (e os bolsos, se quiserem) estão, porém, em Paris
e Washington, em Lisboa e em Moscovo. Os que sofrem vivem por lá, paredes
meias com a guerra fratricida de todos os dias e com a visão nítida
dos dirigentes a engordar até mais não poderem.
Nesse aspecto, como em muitos outros, Savimbi não é, de forma alguma, o pior. E as pessoas sabem-no. Para haver Paz, Democracia e Desenvolvimento em Angola, importa saber quem é quem. Na busca da Paz, importa saber que se Angola não tivesse petróleo a guerra não reaparecia. E não só petróleo, claro. Em Cabinda - que é tão Angola como o gato é cão - há, sobretudo, para além do ouro negro, as chamadas madeiras preciosas. Que estiveram na origem do recente rapto dos portugueses, que trabalhavam naquela zona. E os diamantes nas Lundas. Para falar apenas em alguns produtos, que estão, directa ou indirectamente, na origem da guerra. Da guerra, não. Das três guerras...
Como alguém dizia, não há muito, os angolanos estão a suportar três guerras. A primeira é a guerra militar, imposta por um regime mais do que corrupto que entendeu poder destruir um partido político, com apoio internacional. A segunda é, afinal, a que mergulha raízes na economia. Que pretende, afinal, justificar a exploração violenta dos petróleos angolanos, para esconder que exploram mais dos que os anunciados 800 000 barris de petróleo por dia, sob os quais nem pagam impostos aos Angolanos e para explorar, também de forma violenta, os 4.3 milhões de carats/2000, em diamantes Angolanos, monopolizados pelo lobby russo israelita do sr Lev Leviev.
A terceira é a guerra da propaganda. Que acaba por ter "força"
e raízes" nas outras três. Uma guerra que se movimenta subreptìciamente.
De Lisboa para o Rio e daqui para acolá, sem cuidar de saber "razões"
porque prefere entender-se com os que fabricam quantas "razões"
quiserem, ainda que à custa de milhares de mortos.
A verdade é que, de toda esta guerra, não há ainda história,
por que ninguém a quer contar. Especialmente porque a própria
comunidade internacional se amoldou às sanções contra a
UNITA. E de tal forma o fez que as notas que chegam de Angola... são
todas - mas todas - com a chancela do Governo. Imagens... só as que o
Governo deixa passar.
Verdades... só as que o Futungo de Belas considera, ainda que sejam mentiras.
.
A propaganda alimenta tudo e todos. É ela que faz com que a guerra continui,
porque é dela que suga os milhões de dólares que recebe.
Dizem-nos até que reside, hoje, em Portugal a central de propaganda do
regime totalitário de Luanda. Mal para Angola e mal para Portugal.
Só que a chama da esperança volta a reacender-se. Mesmo no seio do chamado Governo há gente que não quer perpetuar um regime como aquele que diz ser legítimo governo em Angola. E as conversações para a paz - exigidas, hoje, em vários quadrantes - são disso prova evidente.
Fernando Cruz Gomes
Toronto, Canadá
fgomes@globalserve.net
Fernando Cruz Gomes
Já o sabíamos. As informações que agora nos chegam
apenas confirmam a ideia que, de há muito, tínhamos como certa.
Os Estados Unidos da América lideram o mercado de venda de armas e metade
das vendas é, afinal, para os países subdesenvolvidos. Branco
é... galinha o põe - a adivinha com que os antigos esgrimiam quando
desejavam pôr de pé uma verdade que já se conhecia.
Os números são, de resto, bem significativos. A venda internacional de armamento atingiu, em 1999, mais de 30.000 milhões de dólares americanos. Montante nunca antes atingido, a não ser em 1991, quando da Guerra do Golfo. Os principais vendedores? Pois, os Estados Unidos, a Rússia e a Alemanha. Dos Estados Unidos partiram quase metade dos armamentos vendidos, seguidos da Rússia, com 4.800 milhões de dólares.
Para o jornal "New York Times", as vendas nacionais de armamento foram mais de um terço de todas as outras operações, superando os Estados Unidos, de longe, os parceiros europeus. Ali se anota, também, que cerca de dois terços de todas as transacções comerciais de armamento, da parte dos Estados Unidos, se verificaram com países em desenvolvimento, aos quais os EUA venderam 8.100 milhões de dólares e a Rússia 4 100 milhões de dólares.
Embora se não fale, abertamente, em todos os países que "beneficiaram" destas vendas, sabe-se que a Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Egipto e Israel são, no Médio Oriente, os países que, tradicionalmente, mais armamento compram, vindo a seguir a África do Sul, que tem contactos mais estreitos, no entanto, com a Alemanha.
Se o povo - sobretudo o povo de alguns países de todos nós conhecidos - soubesse que os mesmos Estados Unidos, normalmente a esgrimir contra a falta de direitos humanos e contra as guerras, são os que mais lucram com esses conflitos... era bem capaz de se insurgir contra os seus próprios Governos. E de anotar de onde parte o vento que sopra a brasa da hecatombe...
Americanos a alimentar o fogo da desordem, com as suas próprias armas. Americanos, logo a seguir, a condenar a falta de direitos humanos, a corrupção, a falta de democracia, o pouco caso feito dos direitos e liberdades. Os americanos que, se quisessem não fornecer armas, eram bem capazes de acabar com mais de metade das guerras quentes e frias... que eclodiram, há muitos ou poucos anos, um pouco por toda a parte.
Só que a indústria, a tal indústria de armamento, ia à falência. E isso não querem os poderes instituídos - muito democràticamente, claro - na Casa Branca.
Fernando Cruz Gomes
Toronto, Canadá
fgomes@globalserve.net
Carlos Mário A. da Silva
Este artigo comenta dois artigos de Fernando Cruz Gomes, veterano jornalista angolano, de descendência portuguesa, radicado no Canadá desde 1975. Os dois artigos são "A ÁFRICA A FERRO E FOGO" e "OS MEANDROS DA GUERRA". Cruz Gomes foi, na época colonial, um combativo e ousado chefe da redação do JORNAL DO CONGO e mais tarde de um dos três mais importantes diários da capital angolana na década de 60. No primeiro dos referidos artigos C. Gomes focaliza a dualidade de interesses das partes conflitantes que alimentam, no interesse de meia-dúzia de políticos "puppies", guerras intérminas... Aos dois MPLAS - o pró-Moscou de Neto e seus herdeiros e a Revolta Ativa dos intelectuais ultrapassados pelos pouco letrados que tomaram as rédeas do Poder - comparam-se as duas UNITAS, a do Savimbi e a ... RENOVADA de Jorge Valentim e seus "muchachos". Por trás de tudo estariam os diamantes, o petróleo, os interesses odebrechtianos, os ameriacos do Uncle Sam e os traficantes de armas russos, chineses, portugueses, brasileiros, norte-americanos, paraguaios, espanhóis, coreanos, etc., etc..
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Só faltou ao Cruz Gomes dizer que René Dumont escreveu certo em sua obra sempre atual "L´Áfrique Noire est mal parti". Sierra Leoa, Libéria, Moçambique..."a mesma palhaçada" de uma África Negra que nasceu abortada ou teratologicamente configurada desde o início das... "independências" incitadas, financiadas, equipadas e manipuladas por bem conhecidos interesses internacionalmente... relevantes que agem em nome da DEMOCRACIA, aquela mesma farsa doutrinária que não passa de uma ditadura da maioria e que por isso mesmo, pelos abusos a que se entregam os que muito a invocam está fazendo ressurgir os neonazismos até nos States (e não só)... Todos são culpados, afinal...
O caso Timor está sendo desvirtuado, pois deveria ter sido analisado à luz das verdadeiras causas que permitiriam o horrendo genocídio praticado pelos indonesianos, essa vergonhosa descolonização que provocou a morte de mais de duas centenas de milhar de timorenses e o estranho seqüestro seguido de assassinato, ainda hoje não explicado nem averiguado, do honesto e valoroso tenente-coronel Gouveia, de quem ninguém mais fala... Timor também é terra, que eu visitei em duas ocasiões na década de 50, pujante de... petróleo (a Timor Oil Company... que nunca explorou mas logo no seu surgimento suas ações eram negociadas a alto preço na Austrália), salgema, sândalo, o melhor café do Mundo, rubis e ouro... Arteiramente os japoneses conquistaram essa ilha logo no início da 2ª Guerra Mundial, pois ela seria a prancha de acesso à conquista da Austrália e a fonte de abastecimento futuro de ouro negro, pois dispõe da maior reserva estratégica de petróleo daquela área... Xanana Gusmão aqui no Brasil declarou que deseja para Timor professores brasileiros e que ali se fale e escreva o bem sonante, pujante e ágil português do Brasil, no que foi logo secundado pelos representantes das ex-colônias africanas de Portugal, excluído, ao que parece, da missão de defender a língua de Camões, aliás em vários aspectos muito mais próxima da do Épico do que a ora é falada e escrita em Portugal. Uma vergonha para os portugueses de... Portugal europeu, não para si nem para mim, não para nós - imigrantes que nem direito a votos temos tido e se já o temos eu já não poderei nem desejo mais beneficiar disso. Com efeito na antiga Lusitânia o que se fala em nossos dias é uma língua sibilante e a um tempo grave, fechada, chata (perdoe-me a ligeireza do termo), feia (na minha opinião) se cootejada com a que falamos no Brasil! Para Timor e não só, há muitos anos que estão indo somente missionários catôlicos brasileiros, em particular salesianos (as), e pentecostais (da Igreja Universal do Reino de Deus do poderoso e clarividente Bispo Edir Macêdo cuja obra social e sócio-econômica em proveito dos miseráveis campesinos do agreste nordestino tem sido, através da presença atuante de seu sobrinho - o bispo engº Marcelo Crivela, a todos títulos louvável, bem como a do grande apresentador da TV SBT(GRUPO Sílvio Santos), RATINHO, os quais estão levando géneros alimentícios, implantando comunidades rurais e agro-vilas e irrigando os sertões a custos muitíssimo mais baixos do que os das obras oficiais... Isso porque os missionários, ou melhor - a Igreja Catôlica lusa, aquela dos cardiais e bispos bem alimentados e impecavelmente vestidos e alojados em palacetes e transportados em ricas limousines, desertou das ex-colônias, não retornando jámais, abrindo espaço pricipalmente para os brasileiros (e ainda bem que o fizeram) que há anos, como já o previra o General Silvino Silvério Marques quando Governador Geral de Angola em alerta dirigido numa comunicação confidencial ao coveiro do "Ultramar Português", o ex-ministro Silva Cunha de tristíssima memória (e também último ministro da... Defesa de Portugal do governo Marcello Caetano) ansiavam por essa oportunidade que lhes foi proporcionada de mão beijada pelos "capitães de Abril" de braço dado com seus companheiros castristas de CUBA..
Deixo agora o "África a ferro e fogo" para, de maneira breve,
comentar "Os meandros da guerra": É isso mesmo, Cruz Gomes.
Uma autêntica vergonha, essa tal de Fundação Nobel dominada
por burgueses que se dizem "socialistas"(?!), escandinavos ou nórdicos,
que lamentavelmente ignoraram sempre Gilberto Freyre, embora falecido, e três
grandes nomes, entre muitos que não faltam no Brasil dos nossos dias,
da literatura de língua portuguesa: Jorge Amado e Paulo Coelho, traduzidos
e lidos por dezenas de milhão de pessoas em quase 40 línguas diferentes,
o que representa cerca de 1/5 dos povos organizados (menos de 100... talvez)
em "países", membros da comunidade internacional. Isso é
paz, aquela paz que você, Cruz Gomes, defende. Esses mesmos russos de
que você fala, viraram senhores de máfias, mentores do crime organizado,
vendedores de MIGS e de submarinos nucleares, e até de misseis balísticos
a gangues de criminosos internacionais, um dos quais pretendendo agir aí
no Canadá, como sabe, e até transmissores de segredos referentes
a armamento nuclear que ex-físicos mal remunerados ou desempregados vendem
baratinho (temos no Brasil, em várias instituições científicas,
de pesquisa e tecnológicvas) búlgaros, russos, ucranianos e outros
que se sujeitam a usar seus conhecimentos a troco de remunerações
muito inferiores às de cientistas ou técnicos brasileiros menos
preparados do que eles mas que... os comandam (e muito bem, como é óbvio,
porque pertencem ao país que acolheu aqueles).
Também a EMBRAER no ano passado vendeu 6 moderníssimos aviões
de reconhecimento, bombardeamento e combate ao MPLA, treinando seus pilotos
em São José dos Campos, Vale do Paraíba, onde as aeronaves,
foram construidas. E que nos conste, também Portugal tem vendido aos
mal organizados, pessimamente treinados e turbulentos ou indisciplinados exércitos
dos países emergentes (em particular, às suas ex-colônias),
a título de ajuda, enviando até instrutores, como o Brasil e outros
fizeram já, armas, munições, e outros engenhos mortiferos,
além de munições, do seu arsenal de sucata de que, tal
como russos, americanos e outros, se quer ver livre mesmo "á bon
marché". Quantas dezenas de milhão de dólares gastos
pelo são-tomense Eduardo Santos, que como Mugabe não quer deixar
o poder que fez dele e da actual esposa pessoas endinheiradas, ricas, possidentes
e não mais favelados dos musseques luandenses! !! Uma vergonha! A militarice
chegou ao ponto de nos tristes tempos da ditadura eanesa alcandorarem o semi-analfabeto
Samora Machel, ex-cabo do exército colonial português, a... "marechal-de-campo"
com bastão e mais alamares! Que vergonha! A AVIBRÁS, agora felizmente
menos ativa devido aos calotes que o Saddam Hussein lhe pregou, fabricava e
vendia a Angola (MPLA) os órgãos de Staline, os projéteis
de múltiplos estilhaços cujos efeitos o Serviço Brasileiro
de Televisão, do grande apresentador Sílvio Santos, que é
secundado por apresentadores honestos e combativos, amantes da verdade, AUTÊNTICOS,
COMO O SÃO HEBE CAMARGO E RATINHO, a par do DATENA da TV RECORD do BISPO
MACÊDO, e da MARÍLIA GABRIELA, mostrou em um de seus documentários,
bem como a TV Bandeirantes: Huambo, Ândulo, Moçâmedes - agora
Cidade do...Namibe - tudo destruído, meio milhão de civis, crianças,
mulheres e homens horrivelmente mutilados por esses engenhos mortíferos
e por minas anti-pessoal e anti-carro, mais de 10 milhões delas esparsas
por todo o país que em Fevereiro de 1885 a "troupe" da conferência
de Berlim fez nascer até com um toponímico inverídico,
inadequado, imposto pelo colonizador ignorante e acobardado pela pressão
internacional das grandes potências emergentes e arrogantes do século
XIX. E na onda de ignomínia CABINDA foi anexada traiçoeiramente
mediante o vil Trtado de Simulambuco, sendo ainda hoje tão ignorados
os direitos e aspirações dos seus povos - os mais evoluídos
de Angola, os barões de abinda como o foi D. José Franque, Boma-Zanei-N'vimba-
como o estão sendo os do CURDOS do Irã, do Iraque e da Turquia,
condenados a ser, como os cabindas e iombés, o que jámais quiseram
ser!- Os carros blindados brasileiros Urutu, há anos, também renderam
bons lucros, bem como as granadas fabricadas em Lorena, S.P., onde fiz minha
carreira docente e onde resido, pela então denominada Imperial Chemical
Industries of ... SOUTH AFRICA - EXPLO, de propriedade multi-nacional encabeçada
por ingleses segundo parece, que felizmente já encerrou suas atividades,
foi vendida a sua fábrica dirigida por húngaros hitleristas e
mudou de ramo. Atrás da cortina, "as usually", as grandes multinacionais
inglesas, alemãs, norte-americanas (sobretudo estas), francesas e espanholas,
e os..."pan-gui-aus" chineses, "kun-chans" (comunistas e
taiwaneses de parceria em Macau e Hong-Kong) e suas máfias.
Como você diz, Fernando Cruz Gomes, todas essas guerras são "muito
sujas", até as suscitadas por inconfessados interesses "nacionaleiros"
salesianos e outros no campo místico-religioso. Eu fui professor durante
mais de dois lustros, de uma universidade catôlica, salesiana, e de um
instituto - o Santa Teresa - ambos eram alfôbres de hipocrisia, tibieza,
incompetência e ganância cujos dirigentes pontificavam em Luanda,
em Catete, em Calulo, no Dondo e no Leste Angolano, em nome da mercadoria por
eles apregoada e vendida (JC), esse Chico Mendes da época do colonialismo
romano na Judéia, bem modesto, carismático sem vaidade, vero filantropo,carinhoso,
paupérrimo e humilde, que desagradava às máfias, aos possidentes,
sendo pois mister eliminá-lo antes que... Esses criadores de milagres
e de críticas sociais , senhores absolutos de um amplo patrimônio
rural , que omitem em suas reivindicações de Reforma Agrária
para os "outros", patrimônio esse concedido ou herdado de pobres
vítimas da enganação coletiva, ligados aos Césares
do estado teológico que restou da Roma hodierna, que Garibaldi ajudou
a libertar da tirania, conseguiram radicar em mim(que não estou me vingando
de ninguém nem de nada porquanto fui desligado aos 70 anos de idade por
haver atingido o limite de idade permitido por lei para o exercício da
docência universitária (e não só) e proposto à
Reitoria para a distinção honorífica de Professopr Emérito
por votação unânime do douto conselho departamental e pelo
corpo de alunos, o que obviamente nem resposta obteve) a convicção
de que realmente nada de justo e coerente existe em toda essa conversa... missionária
(e não só isso). Daí sentir-me bem como ateu, se assim
entenderem que devo ser classificado por não freqüentar templos
nem atos de culto, qualquer que seja. Seguindo as pisadas dos jesuítas,
dos franciscanos, dos fanáticos dominicanos da "SANTA INQUISIÇÃO"
[denunciada por Bento de Jesús Caraça, insígne catedrártica
que sofreu perseguições da famigerada PVD/PIDE/DGS que também
foi cúmplice no 25 ABR em Portugal e colônias] e de outros congéneres
os hipócritas salesianos de meia idade que comandam a "organização"
e tiravam de Angola bons proventos morais (e não só) se proclamam
defensores de direitos que eles dizem ser humanos, vivendo porém cercados
do maior conforto, das maiores mordomias, com veículos do ano e quartos
e atendimento de 1ª classe em clínicas de alto preço, às
custas do paupérrimo povo crente em DEUS e em CRISTO que aqui padece
de miséria e doença e passa desemprego e fome, 30 milhões
de famintos em estado de carência absoluta que tem no Rio e em outras
capitais, como manjar régio, os restos de comida jogados no lixo, dos
pratos dos ricos, ou até, como recentemente se viu numa reportagem transmitida
pela TV , de órgãos gangrenados que haviam sido amputados de pacientes
internados num hospital do Recife, Estado de Pernambuco, e lançados no
lixo hospitalar.
A única solução para a África de hoje, qualquer
que ela seja a região ou país, de um extremo ao outro do continente,
sem dúvida o mais rico e o mais explorado e abandonado do planeta TERRA,
é .... tomar para princípios gerais a aplicar-lhe numa nova libertação,
as verdades que você descreveu em seus artigos e Dumont analisou, quanto
às causas, em seu inédito livro escrito ou publicado há
quase meio século. A ONU deveria tomar consciência das realidades
e pôr termo áquele artificialismo que faz dos africanos pessoas
infelizes e neoprimidas. Essa organização tem de ter a coragem
de concitar a comunidade internacional a consentir a revisão de todas
as indepnedências, eliminando de imediato as inviáveis, assumindo
o controle militar, político, administrativo, eônômicetc.,
etc impondo-lhes uma situaçãosemelhante à dos fidei-comissos
da extinta Sociedade das Nações de também ruinosa e inconseqüente
atuação, redistribuindo de acordo com realidades etno-culturais
e religiosas africanas e sua diversidade (mais de 800 línguas e dialetos
diferentes), reeducando os africanos em termos não europeus nem americanos
-em sentido abrangente - ou asiáticos, mantendo-a sob controle de segurança
e ordem pública, eliminando ( de novo) suas maleitas, redimensionando,
reopito, coerentemente, seus futuros novos espaços nacionais, de acordo
com seus direitos históricos, e promovendo nelas democracias que nada
tenham de atenienses (ou seja, ditaduras de grupos por vezes pouco maiores do
que as minorias vencidas nas urnas) e que se ajustem ao conceito mais respeitável
de... "informatocracias", rigorosamente planejadas e internacionalmente
policiadas segundo preocupações democráticas - no vero
e são conceito hodierno do significado sócio-político e
sociológico desse vocábulo.
Hoje não se encontram em África dirigentes políticos preparados,
lúcidos, honestos, cultos e responsáveis como o foram os saudosos
Leopold Sedar Senghor, Houphouet Boigny, Jomo Kennyata, Modibo Keita e poucos
mais. Encontramos ali, sim, vários clones de Idi Hamin Dadá, isso
sim. Perdoeem-me pela extensão do comentário. A respeito disso
e de algumas coisas mais, eu planejo (mas não sei se valerá a
pena porque me arrisco a não encontrar editor que o queira publicar),
escrever um livro de memórias e opiniões a que gostaria de dar
o título Autópsia a asopectos vergonhosos da colonização
e da descolonização do antepenúlttiomo Império colonial
(entendida a URSS, cujo colapso eu previ com muita antecipação
assim como a colonização de Angola pelos cubanos, como penúltimo
e os USA ( com suas colônias de Porto Rico, Guantanamano, Alasca, Hawai,
Texas, Florida, Luisiana, Carolinas, California, Novo... México, Colorado,etc.,
etc., como o último.).
Meu e-mail: carsilva@fastnet.com.br Tenho aí em Toronto primas(os) canadenses
de origem indiana e goesa, por isso aí estive em visita no já
distante ano de 88 e mais recentemente, emDez95 e Jan96 retornei ao Sul da China,
Macau e Hong-Kong, tendo assistido naquela à faustosa e dispendiosíssima
inauguração do Aeropoerto Internacional da TAIPA, doado pelo arquimilionário
Stanley Ho, onde o então ainda presidente português Mário
Soares esteve presente acompanhado de uma opulenta comitiva de, segundo noticiário
local, 800 convidados. Parece que agora, as relações culturais
entre a R.P. da China e Portugal estão um pouco tensas porque o governo
socialista se mostra indiferente ao acordo firmado entre o ex-Governador General
Rocha Vieira, que fez ali um belo trabalho político, e o ministro da
Cultura de Pequim.
Amigas saudações do seu ex-colega Carlos Mário A. da Silva