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Africa: Caça aos corruptos e ao tesouro perdido e saqueado.
Muitos africanistas acreditam hoje que uma saída a médio prazo para melhorar as condições da população nas sociedades africanas terá de ser, necessariamente, o combate a corrupção oficial, isto, aquela perpetrada ao nível dos governos constituidos, e uma verdadeira "caça aos tesouros" desviados ilegalmente pelos membros do poder constituido legal ou ilegalmente. A África atual não se pode dar ao luxo de tolerar a corrupção, como podem fazer livremente os países desenvolvidos se quiserem. A saída da África passa pela máxima concentração de toda a sua "riqueza possível" nos projetos de reconstrução e da recuperação da honra do continente. E esta é a maior das guerras que a África terá de lutar depois da era das sangrentas batalhas internacionais e civis, que vai ficando para trás.
A nova era política, simbolizada agora pela nascente União Africana, sonhada como guardião da democracia e baluarte da prosperidade econômica, dá sinais de que uma nova geração de políticos e pensadores fará diferença no continente e que suas idéias e esforços certamente impedirão a permanência no poder despótico e ditatorial aqueles que há muito se locupletaram na miséria e no sofrimento desumano do continente pós-colonial. Pela mesma razão, acreditam os africanistas, nenhum país africano fortalecerá suas bases democráticas e caminhará firme para a reconstrução se não responsabilizar, isto é, não julgar, condenar e prender aqueles que consagraram a cultura do autoritarismo político e ditatorial, abusando livremente dos diretos humanos e se apropriando ilegalmente das riquezas nacionais. De todas as evidências, é preciso ressaltar a de que a África não terá certamente pernas para encetar o caminho do progresso, a médio prazo, se não trazer de volta as riquezas que se escondem nas contas e nos patrimônios desses carcamanos da ciranda política agora moribunda.
O verdadeiro africano do presente será aquele que se dispor a pagar a conta e contribuir para a realização desses ideiais em seu país.
Zâmbia: aumentam as presssões para prender por corrupção o ex-presidente, F. Chiluba
O novo governo do presidente eleito da Zambia está sendo pressionado para prender e julgar por corrupção o ex-presidente Frederick Chiluba. A organização civil "Oasis Forum", organismo que representa organizaçoes religiosas, legais e a sociedade civil, diz que a assembleia especial convocada pelo novo presidente, o sr Levy Mwanawasa, deveia cassar a imunidade que o sr Chiluba é beneficiário como ex-presidente para responsabiliza-lo perante a corte pela robalheira do seu governo.
Por causa de sua determinação em combater a corrupção e respondabilizar aqueles que se aproveitaram de posições privilegiados para saquear os bens do país, o novo presidente, do mesmo Partido de Chilumba, está agora enfrentando a ira dos partidários fiéis a Chiluba (foto) para derruba-lo da presidência. Recentemente o comandante da Polícia zambiana revelou que um plano com esse objetivo foi descoberto, mas as autoridades estão determinadas a prender aqueles que estariam por detrás dele.
O partido no poder, o Movimento para a Democracia Multipartidária (Movement for Multiparty Democracy - MMD) enfrenta atualmente sérias divisões internas, com uma facção apoiando o president Mwanawasa, e a outra leal ao ex-presidente Frederick Chiluba. Mwanawasa teria enfurecido esta últma ao anunciar investigações sobre as acusaões de corrupção que pesam sobre lideranças do então governo do sr Chiluba.
Um porta-voz do "Oasis Forum", o pastor Japhet Ndlovu, disse recentemente aos jornalistas zambianos que a sociedade exigia de volta todo o dinheiro do tesouro nacional desviado pelo anterior regime.
Além dos membros da administração política, o Fórum Óasis, que foi responsável pela frustração do plano de Chiluba de aprovar um referendo constitucional que o daria um terceiro mandato, exige ainda que o presidente do Supremo Tribunal seja investigado pelas acusações que apareceram num jornal independente de que seus subordinados, assim como os do sr. Chiluba, receberam dinheiro de transações ilegais.
Inquérito publicado no jornal Post (The Post Newspaper) mostra até estratos bancários que revelaram o presidente do Tribunal Supremo e outros como destinatários de depósitos bancários sobre os quais não se podia prestar contas.
Há apenas algumas semanas um time conjunto integrado pela Comissões Anti-Corrupção, Comissão Anti-Drogas e forças da polícia prendeu um homem que pode ter sido um associado de Chiluba. O ex-chefe dos Serviços de Informação, Xavier Chungu, foi recentemente preso por abuso de autoridade. Foi solto depois de pagar fiança, mas responderá o inquérito no Tribunal.
A polícia local diz estar determinada a frustrar as manobras do partido de Chiluba que quer impedir a instauração do processo jurídico. O chefe de polícia Francis Musonda garantiu ao jornal zambiano Daily Mail que as forças de segurança estão determinadas a levar à justiça os acusados de tramar tentativa de golpe contra o presidente Mwanawasa. "Não vamos recuar. Intensificamos nossas investigações e em breve prenderemos aqueles que querem desbaratinar o governo".
O presidente Mwanawasa (foto), que jurou na sua posse que seu governo combaterá a corrupção, tornou público que há mesmo aqueles que estão tentando assassina-lo por causa de sua determinação em banir esse "câncer social" no país, buscando realizar mais um golpe de estado no continente africano, já cansado de barbárie política.
A atitude desse senhor soma as esperanças de muitos africanos que sonham em ver estancada a corrupção na política e o entreguismo nas economias dos países africanos. Embora sua eleição, com apenas 29% dos votos válidos na Zâmbia, tenha sido apontada como fraudulenta pelos partidos de oposição, ele poderá ser o início de um novo capítulo político no seu país, e no sudeste da África, se seus ideais forem sérios e honestos como jurou defender.
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